quarta-feira, fevereiro 22, 2017

um depoimento, atualizado: eu vivo em são paulo sem carro (e prefiro assim)

sou paulistano nato. nascido e criado em são paulo. aprendi desde cedo a gostar dessa cidade. viver em são paulo é estressante; viver em são paulo e se locomover só de carro é ainda mais. eu percebi isso depois que comprei meu primeiro carro e passei a utilizá-lo como principal meio de transporte. tinha vinte e dois anos. antes disso, lembro-me de usar transporte público desde sempre. quando criança, morava no jaguaré e íamos até a vila mariana de ônibus para ir à escola. a linha verde do metrô ainda não existia. era uma viagem todos os dias. lembro principalmente dos retornos, sempre tarde da noite, minha mãe, minha irmã e eu em um ônibus lotado. a ingenuidade da infância nos permitia cantar a viagem inteira. "motorista, motorista; olha a pista, olha a pista". não sei como os demais passageiros aguentavam. depois, acabamos mudando para a vila mariana. lembro da primeira vez que meus pais nos  deixaram ir sozinhos para a escola de ônibus. acho que eu tinha onze anos e minha irmã dez. era um trecho curto, menos de um quilômetro, que representava uma responsabilidade imensa. durante a adolescência, usávamos muito o metrô e o ônibus também. tínhamos bastante liberdade de sair com amigos e ir para praticamente todos os lugares. os passes de ônibus que sobravam sempre viravam dinheiro nos carrinhos de pipoca. já no ensino médio, lembro-me de alguns amigos e eu matarmos uma manhã de aula para passear por são paulo. tudo de metrô. chegamos a pegar a linha azul na estação santa cruz e viajamos até santana, só para voltar até a estação paraíso e caminhar pela avenida paulista inteira sentido consolação. nessa época já havia a linha verde, mas nossa diversão era matar aula e o tempo andando pela avenida mais famosa de são paulo. depois, na época de curso pré-universitário, era metrô todos os dias logo cedo. foi uma época boa. sempre voltava para casa acompanhado da minha, então futura, hoje ex, esposa. foi nesse trajeto diário entre o curso na estação são joaquim até a estação vila mariana que nos conhecemos melhor e, depois de muitas discussões, finalmente acabamos juntos (e nos separamos; quinze anos já se passaram desde então). durante a faculdade, eu e minha irmã dividíamos o carro. era assim: nós dois estudávamos nas perdizes; ela de manhã e eu à noite. logo cedo, ela pegava o carro e ia para a aula. deixava estacionado em uma garagem e voltava de transporte público ou carona para casa. eu estagiava no centro de são paulo nessa época e ia para a faculdade no fim do dia de carona ou de ônibus. depois da aula, buscava o carro na garagem e voltava para casa. fizemos isso durante uns dois ou três anos. foi por essa época que percebi como usar o carro como principal meio de transporte não é somente estressante, mas também extremamente alienante. tinha vinte e dois anos e estava com um carro novo, recém-comprado. um sonho. logo me acostumei com esse conforto. é fácil: meu carro, minha música, meu ar-condicionado. minha ilha, meu mundo. e isso realmente faz a gente se sentir importante. mas os anos foram passando e eu me sentia um idiota toda vez que os carros iam mais devagar que as pessoas caminhando; toda vez que eu percebia que, no fim, estava em uma ilha de conforto, sozinho, sem interagir com ninguém, isolado do mundo e da cidade; toda vez que eu me tornava uma pessoa mais agressiva do que me considero e me irritava com outros motoristas e pedestres. isso tudo me incomodava muito, mas eu me sentia preso àquilo. era o padrão e ainda tinha o status de ter o seu próprio carro. algo um tanto quanto provinciano para alguém nascido e criado em uma cidade que se diz tão cosmopolita. alguns anos passaram e, então, tive a oportunidade de morar em londres para estudar. vender meu carro foi a maior liberdade que eu senti. voltei catorze meses depois e decidi que não usaria mais carro no meu dia a dia. cinco anos se passaram desde então e segui, firme e forte, indo e voltado todos os dias de transporte público. de manhã, caminhava até a estação chácara klabin, fazia baldeação na estação consolação para a estação paulista, descia na estação faria lima e pegava algum ônibus que ia sentido itaim bibi. descia na avenida faria lima, um ponto antes da rua tabapuã. na volta, pegava um ônibus na avenida tabapuã e ia direto até a estação vila mariana ou pegava algum dos ônibus que sobem a rua augusta até o metrô consolação e, de lá, metrô até em casa. adaptei toda minha rotina para isso. usava tênis para as caminhadas, sempre levava um livro comigo e música. quando saía muito tarde do trabalho e não tinha ônibus disponível, eu ia de táxi. já teve dias que caminhei oito quilômetros desde a avenida faria lima até a chácara klabin porque o trânsito estava insuportavelmente parado. fui feliz. senti até um prazer de ver todo mundo parado e eu, dessa vez, era o pedestre caminhando mais rápido que os carros. durante um tempo, já fiz uso das bicicletas compartilhadas, de modo experimental. minha maior dificuldade quanto a isso era logística, pois trabalho com roupa social formal e não tenho um local adequado para me trocar. teve um dia, então - na quarta-feira de cinzas do carnaval de 2016 - que eu resolvi pegar a minha bicicleta e ir pro trabalho pedalando, de roupa social e tudo. foi tranquilo. cheguei em muito menos tempo que conseguiria fazer esse mesmo trecho no horário de pico da manhã, seja de carro, seja de transporte público. passei a usar a bicicleta no meu dia a dia e me adaptei completamente a essa escolha. na ida, vou de roupa social formal, na volta, eu me troco e volto pedalando mais forte. é o meu exercício diário. isso me possibilita passar pelo parque do ibirapuera todos os dias, de manhã e à noite, porque é parte do meu caminho para o trabalho e da minha volta para casa. nesse meio tempo, meu filho nasceu e eu já o incentivo a usar o metrô e a bicicleta. ele adora. o carro fica na garagem e só sai em dias de chuva ou viagens mais compridas. eu tenho consciência que morar na região central da cidade facilita muito a minha vida. tenho inúmeras opções para ir de um lugar ao outro. sei que a maioria dos moradores de são paulo que moram em regiões mais afastadas não têm esse mesmo privilégio. acredito, porém, que é possível, sim, viver sem carro em são paulo. com algumas adaptações e, principalmente, criando-se a consciência coletiva de que o transporte público é melhor, mais rápido e mais agradável para todos, e de que a bicicleta é, sim, um meio alternativo completamente viável, ainda mais com maior consciência dos motoristas, dos ciclistas, dos pedestres, e com mais ciclovias e sinalização viária. com certeza muita coisa pode ser melhorada. por exemplo, a maioria dos motoristas de ônibus andam tão pressionados pelas empresas ou pela prefeitura em cumprir horários (ou simplesmente são mal preparados e mal educados) que esquecem que estão transportando pessoas: aceleram rápido demais, param com tudo, andam acima do limite de velocidade, desrespeitam sinais de trânsito, outros motoristas e, principalmente, os ciclistas etc. isso precisa mudar. também acho que os pontos de ônibus são contra-intuitivos e muito próximos uns dos outros. as pessoas podem andar mais; não precisa ter um ponto em cima do outro. além disso, o desrespeito com os ciclistas é gritante. ser ciclista e ser xingado no trânsito faz parte do pacote de cortesia do motorista paulistano, esse cordial. hoje, cinco anos depois de voltar para são paulo e de me locomover pela cidade por transporte público e de bicicleta no meu dia a dia, tenho certeza que essas são melhores opções. tive muitos benefícios pessoais desde que decidi por esse caminho e acredito que a cidade pode se beneficiar com uma mudança de consciência que passe a privilegiar a locomoção em massa em detrimento do veículo particular. é o que espero para o futuro.

(atualização de texto publicado originalmente em 12 de setembro de 2013)

domingo, fevereiro 28, 2016

ensaios sobre quereres


alegria sincera: represa lágrimas na retina.

riso solto: vem sem esforço, esvai-se em suspiro.

brilho no olhar: é de canto, de soslaio, de amor. 

amor: pulsar em descompasso, querer junto.

terça-feira, março 03, 2015

sobre nós

procuro-me em verso. repito-me em prosa. o bater sufocado, silencioso, de quem sofre calado. um som meio oco, vazio, desvanece distante. subtrair-se do mundo e sentir. ser, viver. aspirar instantes, inspirar rompantes. seduzir segredos. romper-se. e há quem entenda. 

aproxima. ouve também? é de dentro. mais perto. são palavras sufocadas.

domingo, junho 01, 2014

Não há lugar melhor do que Itaquera

então, lá estive. não é a terra prometida, nem o sonho realizado. é uma casa nova, fato. tão nova que a gente ainda se sente desconfortável. é como dormir fora de casa e acordar em um lugar desconhecido. demora um pouco para se acostumar. é estranho não estar naquelas mesmas bancadas de sempre - ora verdes, ora amarelas, ora ocres. agora ainda é tudo muito branco, muito claro, muito limpo. ainda falta alma. falta aquela sujeira acumulada, as histórias pra contar. faltam lágrimas! - de tristeza e de alegria, que lavarão cada degrau uma vez e para sempre. aos poucos, a gente se habitua, volta a ter o lugar preferido, as mandingas. não existe maldição. isso é história para vender jornais. as coisas se encaixam com o tempo, com as vitórias, os títulos. isso tudo trará alma e não será difícil. o que mais temos a oferecer é justamente isso: alma. preencheremos cada canto com nossos cantos. não há lugar melhor do que itaquera.


terça-feira, janeiro 28, 2014

que assim seja ainda que não seja assim

ofereço-lhes tudo. inclusive nada. um arremedo de mim mesmo. um eu mutante errante quadrante minguante. igual, sem sal. normal. que tal? vou mal.

um segredo? respeito o medo inteiro sem cheiro moreno. derramo declamo engano. não sei, talvez. se é sentir que seja assim.

sem saco! um saco. arremato, descalço. o passo me foge uma batida. despedida. sem vida. ali a saída. acabou. o terror passou. finge o fim pra mim. sim. voar e subir até carmim. fim.

livrai-me de todo o sentido.

sábado, novembro 23, 2013

rascunho: nascimento

o fim
é feio
bonito é
o começo 

novo, esperançoso

maciez
pureza
inocência 

deslumbramento
por tudo que há:
porvir
sentir
sorrir

o ser, desnudo,

não
sabe
nada

sexta-feira, novembro 22, 2013

sem título 5


sentei pra fumar um cigarro defronte a nudez da noite. cada vez em quando tudo gira sentido horário. pigarro. sempre nunca é assim; parar pra pensar atrapalha o raciocínio. aquela esquina não estava ali ontem, presumo. devem tê-la dobrado hoje, só pode. nem sei mais o que faço aqui sentado. amargo esse céu estrelado. suspiro. sessenta e três, sessenta e quatro, sessenta e cinco, sessenta e seis, sessenta e sete, sessenta e oito, sessenta e nove. a noite se vestiu de nuvem. perdi o rumo. estou aqui há horas e nem fumar eu fumo.

quinta-feira, setembro 12, 2013

um depoimento: eu vivo em São Paulo sem carro (e prefiro assim).

sou paulistano nato. nascido e criado em são paulo. aprendi desde cedo a gostar dessa cidade. viver em são paulo é estressante; viver em são paulo e se locomover só de carro é ainda mais. eu percebi isso depois que comprei meu primeiro carro e passei a utilizá-lo como principal meio de transporte. tinha vinte e dois anos. antes disso, lembro-me de usar transporte público desde sempre. quando criança, morava no jaguaré e íamos até a vila mariana de ônibus para ir à escola. a linha verde do metrô ainda não existia. era uma viagem todos os dias. lembro principalmente dos retornos, sempre tarde da noite, minha mãe, minha irmã e eu em um ônibus lotado. a ingenuidade da infância nos permitia cantar a viagem inteira. "motorista, motorista; olha a pista, olha a pista". não sei como os demais passageiros aguentavam. depois, acabamos mudando para a vila mariana. lembro da primeira vez que meus pais deixaram irmos sozinho para a escola de ônibus. acho que eu tinha onze anos e minha irmã dez. era um trecho curto, menos de um quilômetro, que representavam uma responsabilidade imensa. durante a adolescência, usávamos muito o metrô e o ônibus também. tínhamos bastante liberdade de sair com amigos e ir para praticamente todos os lugares. os passes de ônibus que sobravam sempre viravam dinheiro nos carrinhos de pipoca. já no ensino médio, lembro-me de alguns amigos e eu matarmos uma manhã de aula para passear por são paulo. tudo de metrô. chegamos a pegar a linha azul na estação santa cruz e viajamos até santana, só para voltar até a estação paraíso e caminhar pela avenida paulista inteira sentido consolação. nessa época já havia a linha verde, mas nossa diversão era matar aula e o tempo andando pela avenida mais famosa de são paulo. depois, na época de curso pré-universitário, era metrô todos os dias logo cedo. foi uma época boa. sempre voltava para casa acompanhado da minha, então futura, hoje atual, esposa. foi nesse trajeto diário entre o curso na estação são joaquim até a estação vila mariana que nos conhecemos melhor e, depois de muitas discussões, finalmente acabamos juntos (e doze anos já se passaram desde então). durante a faculdade, eu e minha irmã dividíamos o carro. era assim: nós dois estudávamos nas perdizes; ela de manhã e eu à noite. logo cedo, ela pegava o carro e ia para a aula. deixava estacionado em uma garagem e voltava de transporte público ou carona para casa. eu estagiava no centro de são paulo nessa época e ia para a faculdade no fim do dia de carona ou de ônibus. depois da aula, buscava o carro na garagem e voltava para casa. fizemos isso durante uns dois ou três anos. foi por essa época que percebi como usar o carro como principal meio de transporte não é somente estressante, mas também extremamente alienante. tinha vinte e dois anos e estava com um carro novo, recém-comprado. um sonho. logo me acostumei com esse conforto. é fácil: meu carro, minha música, meu ar-condicionado. minha ilha, meu mundo. e isso realmente faz a gente se sentir importante. mas os anos foram passando e eu me sentia um idiota toda vez que os carros iam mais devagar que as pessoas caminhando; toda vez que eu percebia que, no fim, estava em uma ilha de conforto, sozinho, sem interagir com ninguém, isolado do mundo e da cidade; toda vez que eu me tornava uma pessoa mais agressiva do que me considero e me irritava com outros motoristas e pedestres. isso tudo me incomodava muito, mas eu me sentia preso àquilo. era o padrão e ainda tinha o status de ter o seu próprio carro. algo um tanto quanto provinciano para alguém nascido e criado em uma cidade que se diz tão cosmopolita. alguns anos passaram e, então, tive a oportunidade de morar em londres para estudar. vender meu carro foi a maior liberdade que eu senti. voltei catorze meses depois e decidi que não usaria mais carro no meu dia a dia. dois anos se passaram desde então e continuo, firme e forte, indo e voltado todos os dias de transporte público. de manhã, caminho até a estação chácara klabin, faço baldeação na estação consolação para a estação paulista, desço na estação faria lima e pego algum ônibus que vá sentido itaim bibi. desço na avenida faria lima, um ponto antes da rua tabapuã. na volta, pego um ônibus na avenida tabapuã e vou direto até a estação vila mariana. quando demora muito, pego qualquer ônibus que suba até a avenida paulista e pego o metrô até a estação chácara klabin. adaptei minha rotina para isso. uso tênis para as caminhadas, sempre levo um livro comigo e música. quando saio muito tarde do trabalho e não tem ônibus disponível eu vou de táxi. já teve dias que caminhei oito quilômetros desde a avenida faria lima até a chácara klabin porque o trânsito estava insuportavelmente parado. fui feliz. senti até um prazer de ver todo mundo parado e eu, dessa vez, era o pedestre caminhando mais rápido que os carros. também já fiz uso das bicicletas compartilhadas. minha maior dificuldade quanto a isso é logística, pois trabalho com roupa social formal e não tenho um local adequado para me trocar. eu tenho consciência que morar na região central da cidade facilita muito a minha vida. tenho inúmeras opções para ir de um lugar ao outro. sei que a maioria dos moradores de são paulo que moram em regiões mais afastadas não têm esse mesmo privilégio. acredito, porém, que é possível, sim, viver sem carro em são paulo. com algumas adaptações e, principalmente, criando-se a consciência coletiva de que o transporte público é melhor, mais rápido e mais agradável para todos. com certeza muita coisa pode ser melhorada. por exemplo, a maioria dos motoristas de ônibus andam tão pressionados pelas empresas ou pela prefeitura em cumprir horários (ou simplesmente são mal preparados e mal educados) que esquecem que estão transportando pessoas: aceleram rápido demais, param com tudo, andam acima do limite de velocidade, desrespeitam sinais de trânsito, outros motoristas e, principalmente, os ciclistas etc. isso precisa mudar. também acho que os pontos de ônibus são contra-intuitivos e muito próximos uns dos outros. as pessoas podem andar mais; não precisa ter um ponto em cima do outro. hoje, dois anos depois de voltar para são paulo e de me locomover pela cidade por transporte público no meu dia a dia, tenho certeza que essa é a melhor opção. tive muitos benefícios pessoais desde que decidi por esse caminho e acredito que a cidade pode se beneficiar com uma mudança de consciência que passe a privilegiar a locomoção em massa em detrimento do veículo particular. é o que espero para o futuro.

sexta-feira, julho 05, 2013

liberdade é, ser também.



muito quero, tanto que nego. rejeito. repenso. recomeço.

à beira. o samba sustenta o passo. o surdo evita o atraso. desfaço-me. caio. sem eira. 
nem queira. ser longe já é inteiro. respeite o ritmo. serpenteia. do chão não passa. rasteja. poeira. por sobre tudo. permeia. a chuva cai, seca.

ateia. o fogo é brando. não queima. o som é bruto. acalmo. silêncio que ouço, calo. 
há telha. um teto um chão. paixão. medo do escuro. eu juro. estrelas. canseira. você que diz, insisto. ser feliz é... desisto.

ferina. ignóbil tentação. sensata, afirma. quero (longe). desvira.

é tão bom libertar-se de fazer sentido.

quinta-feira, junho 20, 2013

vamos brincar de o mestre mandou

ATENÇÃO!

Devido aos acontecimentos dos últimos dias e à bagunça generalizada, estou me auto declarando dono do protesto. Escolham suas causas e saiam às ruas. Só me avisem antes.

Como dono do protesto, meu primeiro ato é organizar a bagaça toda:

- MPL e simpatizantes do passe livre: devem se encontrar na praça do ciclista portando bicicletas e equipamentos de segurança.

- Quem for contrário à PEC37: encontro na rua riachuelo em frente ao prédio do ministério público portando instrumentos de investigação.

- Todos que forem contra o Marco Feliciano: encontro em frente à sede da IURD no Brás portando as falácias bíblicas.

- Quem for contra a Copa: protesto tem que ser em Itaquera (óbvio!) portando elementos festivos e caxirolas pra jogar nos polícia.

- Quem for contra os protestos: concentração na Oscar Freire portando cartões de crédito e narizes de palhaço.

- Quem só quer vandalizar: encontro na Oscar Freire também. Não precisam ir armados. Usem da persuasão.

- Quem for contra a corrupção: favor dirigir-se ao cantinho da reflexão de suas próprias consciências portando auto crítica.

- Quem for contra o direito de protestar: aliste-se na polícia militar mais próxima.

- Aqueles que pedem "mudança": favor decidir se querem mudar pra melhor ou pior, para que eu possa designar o local do protesto.

Organizados os pontos de concentração, ninguém precisa marchar pra lugar nenhum. Façam uma ciranda. Se preferirem, podem sentar e fazer um corre cotia. Tá liberado também.

Em caso de dúvidas, falem comigo pela hashtag #donodoprotesto no twitter. Obrigado e não precisam agradecer de volta.

Saudações,
O dono do protesto.

terça-feira, maio 28, 2013

sem título número 4


todos têm direitos. o direito de crer e não pensar em nada. o direito de adorar e se iludir. o direito de explorar e de se revoltar. o direito de errar e de perdoar. o direito de perdoar e se deixar enganar. o direito de temer e enfrentar. o direito de dizer e se arrepender. o direito de ir e voltar atrás. o direito de calar e se fazer notar. o direito de ser e se deixar levar.

domingo, março 03, 2013

o tempo é um senão.

o agora é uma ficção.
o passado é uma prisão.
o futuro é uma ilusão.


sábado, março 02, 2013

resquícios de uma mente sem lembranças.

arrisco-me em vão. caio ao chão. grito: "ladrão!". prendem-me, então.sigo em frente. afirmo-me inocente. ninguém entende. "esse não é gente".aceito, enfim. a pena é pra mim. antes isso que o fim. melhor assim.

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

O Direito que não se opõe ao esquerdo.


O que é mais importante no Direito? As leis? Não. As leis formam a estrutura do Direito. Os juízes, advogados, legisladores, promotores? Não. Esses são grandes personagens do Direito, mas não representam o que há de mais importante. O mais importante no Direito são as pessoas. As leis são alteradas, ficam antiquadas e são alteradas novamente. Os personagens do mundo jurídico (advogados, juízes, promotores) não passam de ficção criada pela lei, obrigados a aplicá-la. Não passam de meros reféns da legislação. Atuam em observância dos preceitos legais. As pessoas, essas sim, representam o que há de mais importante no Direito. Isso não é abordado no ensino jurídico com a importância que deveria. Ora, toda a teoria jurídica é facilmente aprendida na prática.
Seria muito importante que as escolas de Direito iniciassem os cursos com uma grade integral dedicada apenas ao estudo da sociologia, antropologia e história. Ao mesmo tempo, psicologia, técnicas de negociação e interação social. O Direito não é sinônimo de litígio. O Direito deve estar a serviço das pessoas, para que ela resolvam os seus problemas jurídicos da forma menos traumática possível. Um advogado ou um procurador não pode ter como prioridade vencer o caso simplesmente, pois nem sempre vencer um caso corresponde à melhor solução para um litígio. Há pessoas envolvidas.
As escolas jurídicas precisam, antes de tudo, ensinar seus alunos a pensarem o Direito não como um instrumento para a solução judicial de conflitos, mas como uma ferramenta de transformação social. 

sábado, novembro 17, 2012

entreatos: história da vida e da morte.

fim do primeiro ato.
início do segundo ato. o renascimento.
terceiro ato. a morte ressabiada.
quarto ato. a vida emula a morte.
quinto ato. o flerte da vida.
sexto ato. a morte se apaixona.
sétimo ato. saudades futuras.
oitavo ato. o passageiro.
nono ato. tudo precede o nada.
décimo ato. a vida trai a morte.
décimo primeiro ato. a morte sucede a vida.
então tudo começou.

quarta-feira, agosto 29, 2012

poema novo:

poema novo:
tirei a poeira de cima
sobrou pouco 
quase nada já é algo.
o sabor é sobressalto
o escuro é invisível.
pra sentir a liberdade
basta olhos abertos.
ouvir o longe não
traz o nada pra perto.
o nada é toque e
tocar é cheiro antigo.
sentidos sentidos.
sentido!
só sei que a poeira foi
o poema ficou.
(a rima fica por conta)

domingo, junho 03, 2012

boa noite, até logo.

vou-me, ficar não é opção. seria, não fosse o ir, esse verbo sem volta. vou-me, pois ali já me aguarda desde então. e é pra lá que eu vou. dormir não é melhor nem pior. simplesmente é o que há. sei que não entende e nem precisa. apenas saiba que aqui não estarei. não mais. se volto? ora, é claro que sim. quando? assim que você notar. nem antes, nem depois. serei preciso, prometo. aguarde com paciência.

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

ad infinitum.

Desisto. Do quê? De tudo. Por que? Porque sim. Isso lá é resposta? Não. E então? Desisto...

terça-feira, janeiro 31, 2012

o amor em tempos sem fronteiras.


geralmente, ele já levantava pensando nela, no que havia escrito a ela na noite anterior, nas respostas que ela havia enviado. ao tocar do despertador, ele acordava ansioso para conferir se tinha alguma mensagem dela perdida, que ele não tivesse visto antes de dormir. era a sua injeção de adrenalina matinal, o que o fazia abrir os olhos e despertar sem pensar no tamanho do sono. antes dela existir, ele demorava a levantar. ficava deitado na cama, enrolando até perder a hora de sair de casa. todos os dias, ao sair da cama, ele tomava o seu banho matinal. o tempo do banho variava de acordo com os sonhos que sonhava. arrumava o cabelo do jeito que sabia que ela gostava e passava o perfume que ela tinha comentado outro dia. olhava o reflexo no espelho e testava um olhar de sedução, que pretendia usar com ela. o café da manhã ele passava relendo as mensagens da noite anterior. todos os dias ele se vestia pensando no que ela acharia dos trajes escolhidos. colocava a cueca pensando se ela aprovaria o modelo e as cores. “vai que, né?”. na rua, andava procurando nas outras mulheres características que o lembrassem dela: um cabelo cor de petróleo aqui, uma bunda arrebitada ali, os olhos verdes daquela lá no outro lado do ônibus. “ela olhou pra mim? pô, essa dava jogo”. passava o dia no trabalho tentando se concentrar. quando ela demorava demais a responder uma mensagem, ele não conseguia trabalhar de tão ansioso. “o que ela pensou? será que não curtiu? vou mandar outra, quem sabe ela responde”. no almoço, imaginava como seria almoçar com ela naquele restaurante. gostava de imaginar o que é que ela escolheria do menu, qual bebida. “será que tomaria uma cervejinha comigo no almoço? não, ela gosta de vodka, disse ontem”. encerrado o expediente, andava pela rua como se a estivesse procurando. em cada rosto, encontrava um detalhe que o lembrava dela. todos os dias, sempre, ele estava arrumado como se fosse encontrá-la. lembrava dela a cada momento. só fazia questão de esquecer que morava em ilhéus e ela em rio claro.

sábado, janeiro 07, 2012

entreatos: o homem pós-moderno sofre mais



– calma aí, calma aí. quer dizer que você está sofrendo por causa disso? senta e escreve e, pronto, tá resolvido
– cara, você não entende. se fosse fácil assim, eu já tava terminado, pô. eu não consigo, simples assim
– tu  é muito do mimado, bróder!
– ah, vá se fudê, bróder! vai ficar me sacaneando ou vai me ajudar, porra? preciso escrever essa merda logo; quero entregar amanhã
– você não disse que tá apaixonado? escreve logo “eu te amo” e boa
– putaqueopariu! se fosse pra escrever só “eu te amo” eu comprava um cartão escrito “eu te amo”. quero dizer mais, para que ela sinta o que eu sinto por ela
– mas você quer que ela saiba o que você sente por ela ou você quer que ela sinta por você o que você sente por ela? tem que definir issaê antes
– então... é... porra, sei lá. quero os dois. na real? queria saber no que é que ela tá pensando, tá ligado? mas não tem como, né?
– é, não dá mesmo não...
– então. daí pensei em escrever algo pra que ela saiba o que eu sinto por ela e também para que ela sinta por mim o que sinto por ela, entendeu?
– tá. então você não quer sentir sozinho o que você sente por ela sem que ela sinta de volta a mesma coisa. é isso?
– bom, falando desse jeito, parece meio mesquinho... mas é mais ou menos isso daí
– daí complica...
– por que?
– se ela não estiver sentindo o mesmo que você, ela pode começar a sentir também ou pode simplesmente rir da sua cara. se ela passa a sentir o que você sente, daí beleza, mandou bem. mas se ela não estiver na mesma pegada, daí você se fodeu e ela vai ficar rindo da sua cara, hahaha
– pô, valeu, hein!? isso que é bróder mesmo
– mas é a real, hahaha!
– porra. que merda. só tô que penso nela. queria que ela pensasse em mim
– vai ver ela já tá pensando, só você não tá ligado
– é, pode ser. e como faz pra descobrir?
– sei lá...
– cê não serve pra nada mesmo!
– haha! pô, inútil é você, que tá aí saindo com ela esse tempo todo e não sabe nem o que tá rolando entre vocês
– sei que eu tô comendo ela e você não, manézão!
– haha. tá, beleza. beleza. mas então põe só um “eu te amo” e boa
– não! já falei que não. nem tô amando ela ainda. e não dá pra falar isso pela primeira vez logo por escrito. pega mal
– pega nada! “eu te amo” hoje em dia é água, tio. todo mundo usa. vê a mulecada aí, é só “eu te amo” até pra amigo
– mais um motivo pra eu não usar então. tá banalizado demais, vai pegar mal
– desisto. você não sabe o que quer, então não tem como eu te ajudar
– sei sim. quero dizer que meu coração só bate tranquilo quando ela tá por perto e que quando ela não tá a agonia me consome, o vento não bate, as horas não correm. mais ou menos isso
– aí, pronto! poetizou legal. escreve isso
– mas e se ela não estiver na mesma pegada? vou fazer papel de otário
– então não escreve nada. que que tem nesse cartão? deixa eu ver
– tem nada. só essa foto aí e esse espaço branco dentro
– você é um bundão, cara
– ah! e por que?
– bróder, escreve logo qualquer coisa e sai dessa. se ela te achar otário, melhor, você já cai fora e não perde mais tempo nessa
– sei não. tô meio apaixonadinho, manja? não sei bem lidar com isso não
– então põe algo genérico, tipo “você é linda e me faz feliz. parabéns”. papo reto
– mas não é muito curto, não? ela vai me achar um otário
– porra! para de pensar no que ela vai achar!
– é, né?
– é!
– mas não consigo...
– ... hahaha. desculpa, mas é engraçado
– e por que?
– você tá todo apaixonado, mas não sabe o que ela pensa disso, nem se ela está na mesma que você, por isso tem medo de colocar tudo a perder por causa de um simples cartãozinho de aniversário. você acha mesmo que esse cartão vai mudar alguma coisa?
– pode mudar
– desisto. preciso ir nessa, deu meu horário. depois me fala que fim levou essa história. té mais
– falou. se cuida
(…)
– e aí, cara! tudo certo? que cara é essa? entregou o cartão? que fim levou?
– é... entreguei sim. ontem de manhã
– pô, legal. e aí? o que escreveu?
– nada de mais. que ela é muito bonita e tal e que eu tô feliz com ela. essas coisas aí
– e ela?
– ela que?
– e ela? o que achou?
– não sei. não respondeu ainda
– mas você não entregou na mão dela?
– não tive coragem... deixei na caixa de correio da casa dela
– ah...
– é... e até agora... nada! nem um SMS, nada! tô aqui, angustiado. não devia ter nem enviado nada! devia ter ligado, dado parabéns e pronto
– hahahaha. você sofre à toa! tanta mulher aí no mundo
– puta merda! não sei nem porque perco meu tempo trocando ideia com você
– hahahaha. bora, vamo ali tomar uma cerveja. essa mulherada hoje em dia tá mais esperta que a gente, bróder. não vai abrir o jogo fácil pra você não
– *suspiro*