domingo, janeiro 10, 2010

Minicontos No Abecedário.



Só cheguei até o F, por enquanto. Mas vou até o fim.

A - Ah, assim as aves acabam avançando! Atenção! Antes, adiante-se.

B - Besteira boa balbucia-se baixinho. Boca beija, batom borra.

C - Cada conquista conta. Conte-me: como conseguiu?

D - Desejos diretos. Dá-me delírios, deixo-te à deriva. Dedos descem devagar; descem demais. Desista de dormir...

E - Enquanto esvaziávamos estantes, escondeu-se. Encontraram-na entre exuberantes edifícios. Ela, esquecida e estática. Eu, emocionado.

F - Fatos furtivos. Felizmente, foi fácil fazê-lo falar. Fumando futilmente, fantasiou fábulas familiares e finalizou: "Facas furam fundo...".

O Fim Chega Quando Tudo Termina.


Fitou o espelho.
Olhou-o nos olhos
e pediu-lhe perdão.
Gritou em desespero.
Cansado do imbróglio,
aproximou as mãos.
Cansado de sê-lo,
puxou o gatilho,
economizou no sermão.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Sou (ou poema multibiografico).


Sou
O descaso do acaso.
Relogio em descompasso.
O vasto mar adiante
E um olhar distante.
Uma tensao calma.
Um furor pr'alma.
Aquele diferente,
Que afronta o que sente.
Um segundo diz tudo.
Bemvindo ao meu mundo.

domingo, novembro 15, 2009

A Dor. E o Tempo.


Recebi esse texto da Gabi. Fala sobre a dor. Mas também tem a ver com o tempo. Fiz a leitura ouvindo Móveis, O Tempo.

"A dor é o caminho da consciência, e é por ele que os seres vivos chegam a ter consciência de si. Porque ter consciência de si mesmo, ter personalidade, é saber e sentir-se distinto dos demais seres, e só se chega a sentir esta distinção pelo choque, pela dor maior ou menor, pela sensação do próprio limite.A consciência de si mesmo não passa da consciência da própria limitação. Sinto-me eu mesmo, ao sentir-me que não sou os outros; saber e sentir até onde sou eu, é saber onde deixo de ser, e a partir donde não sou.E como saber que se existe, não sofrendo nem pouco nem muito? Como volver sobre si, lograr consciência reflexa, senão através da dor?Quando gozamos, esquecemo-nos de nós próprios, de que existimos, passamos a outro, alienamo-nos. E só nos ensimesmamos, só voltamos a nós próprios, só voltamos a ser nós, pela dor."
Miguel de Unamuno in "Sentimento trágico da vida"

domingo, novembro 08, 2009

Sem título.


Dizer em palavras poucas
tudo aquilo que sinto.
Aqueço a voz rouca.
Penso, reflito.
Travam em minha boca.


Então, em poucos traços,
desenho um labirinto.
Pego-me sorrindo.
Rio de mim mesmo,
da esperança contida,
da frustração antecipada.


Sigo rindo, sentado. Tolo.
A espera não é nada,
mas às vezes não acaba.

terça-feira, julho 21, 2009

E é por isso que eu gosto lá de fora, porque sei que a falsidade não vigora.


Felicidade: sonho ou ilusão? De qualquer forma inatingível? Ou meramente efêmera e momentânea, passageira? Eis o mistério da fé. Amem.

sexta-feira, julho 17, 2009

Sobre o paradoxo de estar preso, mas ainda assim livre.‏


Eu queria ser aquele cara andando na rua. Aquele ali, do outro lado da calçada, passando por detrás daquela árvore de grande copa. Não! Eu não queria ser ele. Gostaria apenas de estar na rua agora, andando como ele.

Nem sei para onde eu iria, acho que simplesmente vagaria sem rumo e sem destino, com o sol obrigando-me a cerrar levemente os olhos e o vento frio esfriando a minha espinha quando cruzo as sombras dos prédios. Caminharia olhando para o chão, sentindo a sua firmeza empurrando-me adiante e acompanhando a sequencia de meus próprios passos. Após algum tempo, isso já não seria suficiente. Então, eu levantaria os olhos e passaria a acompanhar a movimentação das pessoas, dos carros, do vento nas árvores. Seria um espanto, pois somente então os sons passariam a fazer sentido, pois se combinariam às vívidas e coloridas imagens da rua. Os carros passariam rápidos demais, as pessoas passariam rápidas demais, o tempo passaria rápido demais. Haveria alguma discussão (pois sempre há alguma discussão) que desviaria minha atenção por alguns instantes e me faria reduzir o ritmo, apenas por curiosidade.

Em certo momento, o horizonte também não seria mais o bastante. Minha peregrinação passaria a manter os olhos acima da linha do horizonte, acompanhando as nuvens e suas curiosas e estranhas formações. Os topos dos prédios passariam a ser bravos guerreiros que anseiam por alcançar o céu. Veria os pássaros, voando, planando sobre o que melhor se entende por liberdade.

E finalmente o tempo passaria em seu devido tempo, nem tão lento como agora, nem tão rápido quanto antes.