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terça-feira, dezembro 07, 2010

(ainda me doía) o sonho de outro dia.


Você estava com outro e sorria.
Eu era espectador. Resignado,
Observava à distância.
No peito, coração apertado.

Eu lhe queria por perto,
Mas a razão racionalizava.
Eu obedecia, irrequieto;
A emoção contrariava.

Nada havia a ser dito,
Mas era certo ficar calado?
O coração golpeava solícito,
Repleto de anseios passados.

Você me via, mas me ignorava.
Eu sorria e você silenciava.
Era você disfarçando, eu assistindo;
Eu me declarando, você resistindo.

Era sonho, mas eu não sabia;
Ainda que soubesse, não sei o que faria.
Era sonho, então logo acordei.
Versifico apenas o que lembrei.



segunda-feira, novembro 01, 2010

Limpeza de frases guardadas.


Frases e idéias soltas que nunca consegui transformar em textos maiores, personagens completas ou poemas.

'A razão maltrata o coração. O acaso nos proporciona as melhores experiências de vida'.

'Quero tudo que me é permitido, tudo que me é proibido. Quero tanto e nada faço. Revolto-me em silêncio. Sigo sem compasso'.

'Reluto em aceitar o sangue errante que pulsa em minhas veias; disfarço e faço acreditarem que me sinto parte disso tudo'.

'I once gave you the butterflies / now I only see your sorrow eyes / I know it was all my fault / but I really wish you still were my pal'.

sexta-feira, outubro 22, 2010

É saudade.


Sim, vou generalizar: o ser humano só dá valor para algumas situações de vida quando elas já estão fora de seu alcance, afastadas pelo tempo ou pela distância. O presente ofusca qualquer tentativa de compreensão ou valoração do sentimento.

A saúde tem muito mais valor quando se está doente. O dinheiro tem muito mais importância quando não se o tem. Aquele amigo faz falta quando não está mais por perto. Um problema deixa de ser um problema quando você se afasta dele o suficiente. Aquele dia de verão em casa sem fazer nada parece muito mais interessante dez anos depois do que quando foi vivido intensamente. A música que tocou no dia em que você a conheceu geralmente só ganha importância se você não a tem mais ou se a tem à distância. Um amor dilacera o coração quando separado por quilômetros de distância.

A nostalgia se consagra com o tempo. A distância revela a importância.

sábado, julho 31, 2010

Voei.


23h15, 28 de Julho de 2010, embarquei no voo JJ 8084 com destino a Londres.

Era o início de uma viagem que planejei durante dois (longos) anos. É possível imaginar o quanto ansioso e excitado eu estava naquele momento.

As aeromoças todas sorridentes e receptivas, como sempre o são. Mas, na minha interpretação, elas sorriam de um modo especial, apenas para mim, como se compartilhassem da minha alegria. Eu podia imaginá-las pensando, em aprovação: "é isso aí, chegou a hora pela qual você tanto esperou".

O simples entrar no avião foi algo cheio de significados. E, por essas coisas do acaso, para coroar o momento, a música ambiente que tocava no avião, logo que me sentei na poltrona 29 K do Boeing 777, era 'Rondó do Capitão', dos Secos e Molhados.

Os versos ecoaram em meus ouvidos, reverberando nos sentimentos que me sufocavam depois da recente despedida de pessoas tão queridas. A despedida foi como toda despedida acaba sendo: carregada de emoção.

Ao ouvir a música, o coração continuou apertado. Mas tudo pareceu fazer algum sentido.

Senhor Capitão, tirai esse peso do meu coração. Não é de tristeza, não é de aflição. É só de esperança, Senhor Capitão!

quinta-feira, julho 22, 2010

Pensamentos de uma noite escura.


Revirando meu caderno de anotações, encontrei esse rascunho, escrito no dia do apagão, em novembro de 2009.

Talvez seja intempestivo, como de fato quase tudo o é nesses dias de conectividade absoluta e ininterrupta. Mas essas palavras tem a sua importância (ao menos para mim).

* * *

(23h27, 12 de novembro de 2009)

1. Estou aproveitando o apagão (e o refluxo) para escrever, porque só ouvir rádio e pensar não está funcionando.

2. Eu estava voltando para casa, na Rua França Pinto, quando tudo apagou. O mais estranho é que alguns carros parados na rua começaram a apitar o alarme no exato mesmo segundo em que o apagão aconteceu. Não entendi nada. Na hora, achei até que tivesse sido uma descarga elétrica, algo localizado na região, porém, na sequência, já imaginei algo maior, porque a rua estava muito escura. Só depois foi entender o que estava acontecendo, quando liguei o rádio.

3. Há 10 anos (em 1999) aconteceu a mesma coisa (mas eu tava na Nova Zelândia!). O pessoal da oposição deve estar comemorando, pensando em usar isso contra a Dilma no ano que vem (em 2010). [Nota de Atualização: acho que usaram mesmo esse episódio um pouco, mas nada que tenha abalado a canditatura Dilma]

4. Tem uma doida na rádio viajando na maionese, dizendo que a culpa é do Lula, que reduziu o IPI da linha branca; tinha que ser carioca! (haha, nada contra, adoro o RJ. É que o sotaque dela é exageradamente exagerado).

5. Acabei de ouvir que o problema é em Itaipu. Só podia. O Brasil depende demais dessa usina hidrelétrica.

6. É engraçado. Na hora que a luz apagou de vez aqui em casa (demorou quase 30 minutos depois do primeiro apagão), eu logo pensei nas pessoas que mais gosto e que me fazem falta, mas não consegui falar com ninguém. Nem os celulares estão funcionando. [N.A.: o que era um tanto óbvio, mas que não pensei no dia]

7. Impressionante como somos absolutamente dependentes da energia elétrica. Faz cerca de um mês eu andei pensando exatamente nisso: como seria difícil viver sem energia elétrica hoje em dia. Tudo, tudo!, funciona por conta da energia elétrica... Mas é óbvio que, pior do que ficar sem luz, é ficar sem água. Daí não tem condições, definitivamente.

8. Escrevendo à luz de vela. Acho que nunca havia feito isso. E estou torcendo para a luz não voltar e ninguém precisar ir trabalhar amanhã... [N.A.: A luz voltou...]

9. Agora começam as hipóteses: foi em Itaipu. Não sabem o porquê ainda. Estão dizendo ser fator externo (tempestades). Já está todo mundo correndo pra dizer que não tem nada a ver com o apagão de 1999 e o racionamento de 2001.

10. Nessas horas faz falta o computador e estar conectado. Aí dá pra questionar se estamos desaprendendo a ficar sozinhos, pois a toda hora podemos estar online, conversando com algúem. Pode passar a falsa impressão de estarmos acompanhados. O que é, sim, verdade. [N.A.: essa frase não está fazendo sentido. Pelo menos, não mais. Mas na época devia dizer algo. Bom, ficará aqui registrada]

* * *

Foi preciso que acabasse a energia elétrica para que naquela noite eu fugisse da rotina e, então, resolvesse me ouvir. E foi preciso que o James Siqueira escrevesse esse texto para que eu encontrasse o rascunho acima e o postasse aqui.

domingo, janeiro 10, 2010

O Fim Chega Quando Tudo Termina.


Fitou o espelho.
Olhou-o nos olhos
e pediu-lhe perdão.
Gritou em desespero.
Cansado do imbróglio,
aproximou as mãos.
Cansado de sê-lo,
puxou o gatilho,
economizou no sermão.

domingo, novembro 08, 2009

Sem título.


Dizer em palavras poucas
tudo aquilo que sinto.
Aqueço a voz rouca.
Penso, reflito.
Travam em minha boca.


Então, em poucos traços,
desenho um labirinto.
Pego-me sorrindo.
Rio de mim mesmo,
da esperança contida,
da frustração antecipada.


Sigo rindo, sentado. Tolo.
A espera não é nada,
mas às vezes não acaba.