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terça-feira, dezembro 07, 2010

(ainda me doía) o sonho de outro dia.


Você estava com outro e sorria.
Eu era espectador. Resignado,
Observava à distância.
No peito, coração apertado.

Eu lhe queria por perto,
Mas a razão racionalizava.
Eu obedecia, irrequieto;
A emoção contrariava.

Nada havia a ser dito,
Mas era certo ficar calado?
O coração golpeava solícito,
Repleto de anseios passados.

Você me via, mas me ignorava.
Eu sorria e você silenciava.
Era você disfarçando, eu assistindo;
Eu me declarando, você resistindo.

Era sonho, mas eu não sabia;
Ainda que soubesse, não sei o que faria.
Era sonho, então logo acordei.
Versifico apenas o que lembrei.



sexta-feira, outubro 22, 2010

É saudade.


Sim, vou generalizar: o ser humano só dá valor para algumas situações de vida quando elas já estão fora de seu alcance, afastadas pelo tempo ou pela distância. O presente ofusca qualquer tentativa de compreensão ou valoração do sentimento.

A saúde tem muito mais valor quando se está doente. O dinheiro tem muito mais importância quando não se o tem. Aquele amigo faz falta quando não está mais por perto. Um problema deixa de ser um problema quando você se afasta dele o suficiente. Aquele dia de verão em casa sem fazer nada parece muito mais interessante dez anos depois do que quando foi vivido intensamente. A música que tocou no dia em que você a conheceu geralmente só ganha importância se você não a tem mais ou se a tem à distância. Um amor dilacera o coração quando separado por quilômetros de distância.

A nostalgia se consagra com o tempo. A distância revela a importância.

sábado, julho 31, 2010

Voei.


23h15, 28 de Julho de 2010, embarquei no voo JJ 8084 com destino a Londres.

Era o início de uma viagem que planejei durante dois (longos) anos. É possível imaginar o quanto ansioso e excitado eu estava naquele momento.

As aeromoças todas sorridentes e receptivas, como sempre o são. Mas, na minha interpretação, elas sorriam de um modo especial, apenas para mim, como se compartilhassem da minha alegria. Eu podia imaginá-las pensando, em aprovação: "é isso aí, chegou a hora pela qual você tanto esperou".

O simples entrar no avião foi algo cheio de significados. E, por essas coisas do acaso, para coroar o momento, a música ambiente que tocava no avião, logo que me sentei na poltrona 29 K do Boeing 777, era 'Rondó do Capitão', dos Secos e Molhados.

Os versos ecoaram em meus ouvidos, reverberando nos sentimentos que me sufocavam depois da recente despedida de pessoas tão queridas. A despedida foi como toda despedida acaba sendo: carregada de emoção.

Ao ouvir a música, o coração continuou apertado. Mas tudo pareceu fazer algum sentido.

Senhor Capitão, tirai esse peso do meu coração. Não é de tristeza, não é de aflição. É só de esperança, Senhor Capitão!

quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Curto e completo.


Um dia, uma noite, uma tarde, uma manhã. Um alarde, um problema, uma solução. Uma despedida, uma tristeza, uma paixão. Em um dia, uma noite, uma tarde, uma manhã.

Amizade é olho. É arrepio ao tocar. É prazer tê-la.

Uns versos perdidos (ou noite insone).


A noite passou em claro
e pensei no nada.
Noite clara noite.
Andei pensando na vida
e pensei no nada.
Foi aí que descobri
o sentido de tudo:
sentido não há,
isso lhe digo.
Mas não foi preciso pensar;
sei pois vivo.