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terça-feira, dezembro 07, 2010

(ainda me doía) o sonho de outro dia.


Você estava com outro e sorria.
Eu era espectador. Resignado,
Observava à distância.
No peito, coração apertado.

Eu lhe queria por perto,
Mas a razão racionalizava.
Eu obedecia, irrequieto;
A emoção contrariava.

Nada havia a ser dito,
Mas era certo ficar calado?
O coração golpeava solícito,
Repleto de anseios passados.

Você me via, mas me ignorava.
Eu sorria e você silenciava.
Era você disfarçando, eu assistindo;
Eu me declarando, você resistindo.

Era sonho, mas eu não sabia;
Ainda que soubesse, não sei o que faria.
Era sonho, então logo acordei.
Versifico apenas o que lembrei.



quarta-feira, março 25, 2009

Somos Reféns do Tempo (?)


Acorda. Toma um café e lê o jornal, esperando o pão esquentar na torradeira. Morde o pão com manteiga e vai mexendo o suco, pra misturar com o açúcar. Lava a louça, enquanto ouve as mensagens de voz deixadas no celular. Escova os dentes e mija (ao mesmo tempo). Coloca as meias e os sapatos folheando o jornal. Desce no elevador, lendo no celular os e-mails enviados de madrugada pelo chineses. Dirige o carro, no trânsito de sempre, ouvindo as notícias no rádio e brigando com a ex-esposa ao telefone. Sobe no elevador, lendo no celular mais e-mails, que nunca param de chegar. Liga o computador e vai explicando pra secretária que ela precisa desmarcar aquela reunião das 13h. Conversa com o cliente pelo telefone, enquanto responde a alguns e-mails e faz gestos com as mãos para o estagiário bater cópia dos documentos. Analisa os contratos de fornecimento e assina cheques. Almoça em 5min, porque tem consulta médica na hora do almoço. Atrasa-se para a consulta. Na sala de espera continua on-line, lendo seus e-mails no celular. O diagnóstico é grave. E ele ainda se pergunta por quê?