Domingo, Novembro 15, 2009

A Dor. E o Tempo.

Recebi esse texto da Gabi. Fala sobre a dor. Mas também tem a ver com o tempo. Fiz a leitura ouvindo Móveis, O Tempo.

"A dor é o caminho da consciência, e é por ele que os seres vivos chegam a ter consciência de si. Porque ter consciência de si mesmo, ter personalidade, é saber e sentir-se distinto dos demais seres, e só se chega a sentir esta distinção pelo choque, pela dor maior ou menor, pela sensação do próprio limite.A consciência de si mesmo não passa da consciência da própria limitação. Sinto-me eu mesmo, ao sentir-me que não sou os outros; saber e sentir até onde sou eu, é saber onde deixo de ser, e a partir donde não sou.E como saber que se existe, não sofrendo nem pouco nem muito? Como volver sobre si, lograr consciência reflexa, senão através da dor?Quando gozamos, esquecemo-nos de nós próprios, de que existimos, passamos a outro, alienamo-nos. E só nos ensimesmamos, só voltamos a nós próprios, só voltamos a ser nós, pela dor."
Miguel de Unamuno in "Sentimento trágico da vida"

Domingo, Novembro 08, 2009

Sem título

Dizer em palavras poucas
tudo aquilo que sinto.
Aqueço a voz rouca.
Penso, reflito.
Travam em minha boca.

Então, em poucos traços,
desenho um labirinto.
Pego-me sorrindo.
Rio de mim mesmo,
da esperança contida,
da frustração antecipada.

Sigo rindo, sentado. Tolo.
A espera não é nada,
mas às vezes não acaba.

Terça-feira, Julho 21, 2009

E é por isso que eu gosto lá de fora, porque sei que a falsidade não vigora.

Felicidade: sonho ou ilusão? De qualquer forma inatingível? Ou meramente efêmera e momentânea, passageira? Eis o mistério da fé. Amem.

Sexta-feira, Julho 17, 2009

Sobre o paradoxo de estar preso, mas ainda assim livre.‏

Eu queria ser aquele cara andando na rua. Aquele ali, do outro lado da calçada, passando por detrás daquela árvore de grande copa. Não! Eu não queria ser ele. Gostaria apenas de estar na rua agora, andando como ele.

Nem sei para onde eu iria, acho que simplesmente vagaria sem rumo e sem destino, com o sol obrigando-me a cerrar levemente os olhos e o vento frio esfriando a minha espinha quando cruzo as sombras dos prédios. Em um primeiro momento, caminharia olhando para o chão, acompanhando a sequencia de meus próprios passos e sentindo a sua firmeza empurrando-me adiante. Após algum tempo, isso já não seria suficiente, então eu levantaria os olhos e passaria a acompanhar a movimentação das pessoas, dos carros, do vento nas árvores. Seria um espanto, pois somente então os sons passariam a fazer sentido, pois se combinariam às vívidas e coloridas imagens da rua. Os carros passariam rápidos demais, as pessoas passariam rápidas demais, o tempo passaria rápido demais. Haveria alguma discussão (pois sempre há alguma discussão) que desviaria a atenção por alguns instantes e me faria reduzir o ritmo, apenas por curiosidade.

Em certo momento, o horizonte também não seria mais o bastante. Minha peregrinação passaria a manter os olhos acima da linha do horizonte, acompanhando as nuvens e suas curiosas e estranhas formações. Os topos dos prédios passariam a existir como bravos guerreiros que anseiam por alcançar o céu. Veria os pássaros, voando, planando sobre o que melhor se entende por liberdade.

E finalmente o tempo passaria em seu devido tempo, nem tão lento como agora, nem tão rápido quanto antes.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Voar Não É Para Qualquer Um.

Voar devia ser obrigatório, algo nato. Poder seguir os alíseos e planar pelos trópicos, sem destino. Mas voar não é para qualquer um. É preciso um quê de irresponsabilidade. Essa noite sonhei que voava. E o frio na barriga foi o mais real que já senti em minha vida, ainda que em sonho. Acordei e fiz alguma coisa que se parece com um poema (inacabado, acho), que resume o que sonhei:

Essa noite sonhei que voava.
Sem asas.
Voava alto como um passarinho.
Voava sozinho.
Os ventos mudavam meu rumo.
Voava sem prumo.
Encolhia-me e mergulhava no vazio.
Pousava macio.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Falso Soneto.

Pense que pode viver,
mas saiba que não é eterna.
Saiba que pode morrer,
e restar tranquila e serena.
A morte não dói a ninguém,
a não ser para quem por cá fica,
pois, logo depois do amém,
volta à vida, menos rica.
Venha comigo viver
a felicidade miúda diária
que preservei para você.
Os amigos vão lhe reerguer
e ajudar a sofrer essa dor
que guarda, sozinha, sem esquecer.

Sábado, Março 28, 2009

Hora do Planeta

Estava pra escrever sobre a "Hora do Planeta". Mas o Carlos Cardoso citou George Carlin em seu Contraditorium e poupou o trabalho, hehe.

O planeta não precisa de ajuda. Nós, os seres humanos, sim. Urgentemente!

(aliás, George Carlin é simplesmente genial. Vale a pena assistir aos outros vídeos dele)