Voar devia ser obrigatório, algo nato. Poder seguir os alíseos e planar pelos trópicos, sem destino. Mas voar não é para qualquer um. É preciso um quê de irresponsabilidade. Essa noite sonhei que voava. E o frio na barriga foi o mais real que já senti em minha vida, ainda que em sonho. Acordei e fiz alguma coisa que se parece com um poema (inacabado, acho), que resume o que sonhei:
Essa noite sonhei que voava. Sem asas. Voava alto como um passarinho. Voava sozinho. Os ventos mudavam meu rumo. Voava sem prumo. Encolhia-me e mergulhava no vazio. Pousava macio.