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Felicidade: sonho ou ilusão? De qualquer forma inatingível? Ou meramente efêmera e momentânea, passageira? Eis o mistério da fé. Amem.
Eu queria ser aquele cara andando na rua. Aquele ali, do outro lado da calçada, passando por detrás daquela árvore de grande copa. Não! Eu não queria ser ele. Gostaria apenas de estar na rua agora, andando como ele.
Nem sei para onde eu iria, acho que simplesmente vagaria sem rumo e sem destino, com o sol obrigando-me a cerrar levemente os olhos e o vento frio esfriando a minha espinha quando cruzo as sombras dos prédios. Caminharia olhando para o chão, sentindo a sua firmeza empurrando-me adiante e acompanhando a sequencia de meus próprios passos. Após algum tempo, isso já não seria suficiente. Então, eu levantaria os olhos e passaria a acompanhar a movimentação das pessoas, dos carros, do vento nas árvores. Seria um espanto, pois somente então os sons passariam a fazer sentido, pois se combinariam às vívidas e coloridas imagens da rua. Os carros passariam rápidos demais, as pessoas passariam rápidas demais, o tempo passaria rápido demais. Haveria alguma discussão (pois sempre há alguma discussão) que desviaria minha atenção por alguns instantes e me faria reduzir o ritmo, apenas por curiosidade.
Em certo momento, o horizonte também não seria mais o bastante. Minha peregrinação passaria a manter os olhos acima da linha do horizonte, acompanhando as nuvens e suas curiosas e estranhas formações. Os topos dos prédios passariam a ser bravos guerreiros que anseiam por alcançar o céu. Veria os pássaros, voando, planando sobre o que melhor se entende por liberdade.
E finalmente o tempo passaria em seu devido tempo, nem tão lento como agora, nem tão rápido quanto antes.
Voar devia ser obrigatório, algo nato. Poder seguir os alíseos e planar pelos trópicos, sem destino. Mas voar não é para qualquer um. É preciso um quê de irresponsabilidade. Essa noite sonhei que voava. E o frio na barriga foi o mais real que já senti em minha vida, ainda que em sonho. Acordei e fiz alguma coisa que se parece com um poema (inacabado, acho), que resume o que sonhei:Essa noite sonhei que voava.Sem asas.Voava alto como um passarinho.Voava sozinho.Os ventos mudavam meu rumo.Voava sem prumo.Encolhia-me e mergulhava no vazio.Pousava macio.
Pense que pode viver,mas saiba que não é eterna.Saiba que pode morrer,e restar tranquila e serena.A morte não dói a ninguém,a não ser para quem por cá fica,pois, logo depois do amém,volta à vida, menos rica.Venha comigo vivera felicidade miúda diáriaque preservei pra você.Os amigos vão lhe reerguere ajudar a sofrer essa dorque guarda, sozinha, sem esquecer.
Estava pra escrever sobre a "Hora do Planeta". Mas o Carlos Cardoso citou George Carlin em seu Contraditorium e poupou o trabalho, hehe.
O planeta não precisa de ajuda. Nós, os seres humanos, sim. Urgentemente!
(aliás, George Carlin é simplesmente genial. Vale a pena assistir aos outros vídeos dele)
Acorda. Toma um café e lê o jornal, esperando o pão esquentar na torradeira. Morde o pão com manteiga e vai mexendo o suco, pra misturar com o açúcar. Lava a louça, enquanto ouve as mensagens de voz deixadas no celular. Escova os dentes e mija (ao mesmo tempo). Coloca as meias e os sapatos folheando o jornal. Desce no elevador, lendo no celular os e-mails enviados de madrugada pelo chineses. Dirige o carro, no trânsito de sempre, ouvindo as notícias no rádio e brigando com a ex-esposa ao telefone. Sobe no elevador, lendo no celular mais e-mails, que nunca param de chegar. Liga o computador e vai explicando pra secretária que ela precisa desmarcar aquela reunião das 13h. Conversa com o cliente pelo telefone, enquanto responde a alguns e-mails e faz gestos com as mãos para o estagiário bater cópia dos documentos. Analisa os contratos de fornecimento e assina cheques. Almoça em 5min, porque tem consulta médica na hora do almoço. Atrasa-se para a consulta. Na sala de espera continua on-line, lendo seus e-mails no celular. O diagnóstico é grave. E ele ainda se pergunta por quê?
Nada do que se diga no vazio se propaga além daquele que o diz. O vazio é confiável, não faz fofoca, não mente. É sincero. Ouve mesmo que não se emita som.