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sábado, janeiro 07, 2012

entreatos: o homem pós-moderno sofre mais



– calma aí, calma aí. quer dizer que você está sofrendo por causa disso? senta e escreve e, pronto, tá resolvido
– cara, você não entende. se fosse fácil assim, eu já tava terminado, pô. eu não consigo, simples assim
– tu  é muito do mimado, bróder!
– ah, vá se fudê, bróder! vai ficar me sacaneando ou vai me ajudar, porra? preciso escrever essa merda logo; quero entregar amanhã
– você não disse que tá apaixonado? escreve logo “eu te amo” e boa
– putaqueopariu! se fosse pra escrever só “eu te amo” eu comprava um cartão escrito “eu te amo”. quero dizer mais, para que ela sinta o que eu sinto por ela
– mas você quer que ela saiba o que você sente por ela ou você quer que ela sinta por você o que você sente por ela? tem que definir issaê antes
– então... é... porra, sei lá. quero os dois. na real? queria saber no que é que ela tá pensando, tá ligado? mas não tem como, né?
– é, não dá mesmo não...
– então. daí pensei em escrever algo pra que ela saiba o que eu sinto por ela e também para que ela sinta por mim o que sinto por ela, entendeu?
– tá. então você não quer sentir sozinho o que você sente por ela sem que ela sinta de volta a mesma coisa. é isso?
– bom, falando desse jeito, parece meio mesquinho... mas é mais ou menos isso daí
– daí complica...
– por que?
– se ela não estiver sentindo o mesmo que você, ela pode começar a sentir também ou pode simplesmente rir da sua cara. se ela passa a sentir o que você sente, daí beleza, mandou bem. mas se ela não estiver na mesma pegada, daí você se fodeu e ela vai ficar rindo da sua cara, hahaha
– pô, valeu, hein!? isso que é bróder mesmo
– mas é a real, hahaha!
– porra. que merda. só tô que penso nela. queria que ela pensasse em mim
– vai ver ela já tá pensando, só você não tá ligado
– é, pode ser. e como faz pra descobrir?
– sei lá...
– cê não serve pra nada mesmo!
– haha! pô, inútil é você, que tá aí saindo com ela esse tempo todo e não sabe nem o que tá rolando entre vocês
– sei que eu tô comendo ela e você não, manézão!
– haha. tá, beleza. beleza. mas então põe só um “eu te amo” e boa
– não! já falei que não. nem tô amando ela ainda. e não dá pra falar isso pela primeira vez logo por escrito. pega mal
– pega nada! “eu te amo” hoje em dia é água, tio. todo mundo usa. vê a mulecada aí, é só “eu te amo” até pra amigo
– mais um motivo pra eu não usar então. tá banalizado demais, vai pegar mal
– desisto. você não sabe o que quer, então não tem como eu te ajudar
– sei sim. quero dizer que meu coração só bate tranquilo quando ela tá por perto e que quando ela não tá a agonia me consome, o vento não bate, as horas não correm. mais ou menos isso
– aí, pronto! poetizou legal. escreve isso
– mas e se ela não estiver na mesma pegada? vou fazer papel de otário
– então não escreve nada. que que tem nesse cartão? deixa eu ver
– tem nada. só essa foto aí e esse espaço branco dentro
– você é um bundão, cara
– ah! e por que?
– bróder, escreve logo qualquer coisa e sai dessa. se ela te achar otário, melhor, você já cai fora e não perde mais tempo nessa
– sei não. tô meio apaixonadinho, manja? não sei bem lidar com isso não
– então põe algo genérico, tipo “você é linda e me faz feliz. parabéns”. papo reto
– mas não é muito curto, não? ela vai me achar um otário
– porra! para de pensar no que ela vai achar!
– é, né?
– é!
– mas não consigo...
– ... hahaha. desculpa, mas é engraçado
– e por que?
– você tá todo apaixonado, mas não sabe o que ela pensa disso, nem se ela está na mesma que você, por isso tem medo de colocar tudo a perder por causa de um simples cartãozinho de aniversário. você acha mesmo que esse cartão vai mudar alguma coisa?
– pode mudar
– desisto. preciso ir nessa, deu meu horário. depois me fala que fim levou essa história. té mais
– falou. se cuida
(…)
– e aí, cara! tudo certo? que cara é essa? entregou o cartão? que fim levou?
– é... entreguei sim. ontem de manhã
– pô, legal. e aí? o que escreveu?
– nada de mais. que ela é muito bonita e tal e que eu tô feliz com ela. essas coisas aí
– e ela?
– ela que?
– e ela? o que achou?
– não sei. não respondeu ainda
– mas você não entregou na mão dela?
– não tive coragem... deixei na caixa de correio da casa dela
– ah...
– é... e até agora... nada! nem um SMS, nada! tô aqui, angustiado. não devia ter nem enviado nada! devia ter ligado, dado parabéns e pronto
– hahahaha. você sofre à toa! tanta mulher aí no mundo
– puta merda! não sei nem porque perco meu tempo trocando ideia com você
– hahahaha. bora, vamo ali tomar uma cerveja. essa mulherada hoje em dia tá mais esperta que a gente, bróder. não vai abrir o jogo fácil pra você não
– *suspiro*

quinta-feira, julho 22, 2010

Pensamentos de uma noite escura.


Revirando meu caderno de anotações, encontrei esse rascunho, escrito no dia do apagão, em novembro de 2009.

Talvez seja intempestivo, como de fato quase tudo o é nesses dias de conectividade absoluta e ininterrupta. Mas essas palavras tem a sua importância (ao menos para mim).

* * *

(23h27, 12 de novembro de 2009)

1. Estou aproveitando o apagão (e o refluxo) para escrever, porque só ouvir rádio e pensar não está funcionando.

2. Eu estava voltando para casa, na Rua França Pinto, quando tudo apagou. O mais estranho é que alguns carros parados na rua começaram a apitar o alarme no exato mesmo segundo em que o apagão aconteceu. Não entendi nada. Na hora, achei até que tivesse sido uma descarga elétrica, algo localizado na região, porém, na sequência, já imaginei algo maior, porque a rua estava muito escura. Só depois foi entender o que estava acontecendo, quando liguei o rádio.

3. Há 10 anos (em 1999) aconteceu a mesma coisa (mas eu tava na Nova Zelândia!). O pessoal da oposição deve estar comemorando, pensando em usar isso contra a Dilma no ano que vem (em 2010). [Nota de Atualização: acho que usaram mesmo esse episódio um pouco, mas nada que tenha abalado a canditatura Dilma]

4. Tem uma doida na rádio viajando na maionese, dizendo que a culpa é do Lula, que reduziu o IPI da linha branca; tinha que ser carioca! (haha, nada contra, adoro o RJ. É que o sotaque dela é exageradamente exagerado).

5. Acabei de ouvir que o problema é em Itaipu. Só podia. O Brasil depende demais dessa usina hidrelétrica.

6. É engraçado. Na hora que a luz apagou de vez aqui em casa (demorou quase 30 minutos depois do primeiro apagão), eu logo pensei nas pessoas que mais gosto e que me fazem falta, mas não consegui falar com ninguém. Nem os celulares estão funcionando. [N.A.: o que era um tanto óbvio, mas que não pensei no dia]

7. Impressionante como somos absolutamente dependentes da energia elétrica. Faz cerca de um mês eu andei pensando exatamente nisso: como seria difícil viver sem energia elétrica hoje em dia. Tudo, tudo!, funciona por conta da energia elétrica... Mas é óbvio que, pior do que ficar sem luz, é ficar sem água. Daí não tem condições, definitivamente.

8. Escrevendo à luz de vela. Acho que nunca havia feito isso. E estou torcendo para a luz não voltar e ninguém precisar ir trabalhar amanhã... [N.A.: A luz voltou...]

9. Agora começam as hipóteses: foi em Itaipu. Não sabem o porquê ainda. Estão dizendo ser fator externo (tempestades). Já está todo mundo correndo pra dizer que não tem nada a ver com o apagão de 1999 e o racionamento de 2001.

10. Nessas horas faz falta o computador e estar conectado. Aí dá pra questionar se estamos desaprendendo a ficar sozinhos, pois a toda hora podemos estar online, conversando com algúem. Pode passar a falsa impressão de estarmos acompanhados. O que é, sim, verdade. [N.A.: essa frase não está fazendo sentido. Pelo menos, não mais. Mas na época devia dizer algo. Bom, ficará aqui registrada]

* * *

Foi preciso que acabasse a energia elétrica para que naquela noite eu fugisse da rotina e, então, resolvesse me ouvir. E foi preciso que o James Siqueira escrevesse esse texto para que eu encontrasse o rascunho acima e o postasse aqui.

segunda-feira, abril 06, 2009

Falso Soneto.


Pense que pode viver,
mas saiba que não é eterna.
Saiba que pode morrer,
e restar tranquila e serena.
A morte não dói a ninguém,
a não ser para quem por cá fica,
pois, logo depois do amém,
volta à vida, menos rica.
Venha comigo viver
a felicidade miúda diária
que preservei pra você.
Os amigos vão lhe reerguer
e ajudar a sofrer essa dor
que guarda, sozinha, sem esquecer.